Pesquisa do CEFET-MG Contagem constata que o uso equivocado de operadores argumentativos compromete coesão na redação do Enem

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O que o uso dos operadores argumentativos pelos estudantes pode nos dizer sobre o ensino da língua materna no Brasil? Essa foi a questão que norteou o trabalho de pesquisadores do CEFET-MG que analisou o uso dos operadores argumentativos, estruturas importantes para a construção da argumentação em um texto, por estudantes de Ensino Médio nas redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O Enem, criado em 1998 pelo Governo Federal, tem o objetivo de avaliar o desempenho dos estudantes no fim da educação básica e é composto por quatro provas e uma redação dissertativa-argumentativa. Percebendo o desempenho não satisfatório na redação de muitos candidatos, o estudante do campus Contagem Dalmo Buzato, sob orientação das professoras Suelen da Silva e Priscilla da Costa, investigou o uso dos operadores argumentativos, que são as estruturas linguísticas responsáveis pela orientação argumentativa dos enunciados e também pela coesão e coerência do texto.

A pesquisa “O uso dos operadores argumentativos por estudantes de ensino médio nas redações modelo Enem” buscou hipóteses que explicassem a causa do problema, uma vez que os estudantes demonstraram o uso insatisfatório da classe. Ao todo, foram analisadas 137 redações modelo Enem, coletadas do banco de redações on-line do site Brasil Escola, a partir da Linguística de Corpus, subárea da Linguística Computacional.

Conectivos, marcadores discursivos e articuladores textuais. Esses são os nomes encontrados na literatura para os operadores argumentativos usados diariamente em nossa escrita: ademais, porém, todavia, portanto, sendo assim, mas… Para uma das orientadoras do trabalho, professora Suelen, a avaliação do uso dessas estruturas possibilita a identificação de quais operadores os estudantes do Ensino Médio conhecem e utilizam e quais precisam conhecer e saber fazer uso para organização de textos argumentativos escritos, como a redação. “A pesquisa é relevante porque torna possível avaliar de que modo cada falante da língua faz uso do seu conhecimento linguístico para ligar as partes do (seu) texto, estabelecer sentidos – de adição, de explicação, de causa, de consequência, de contraposição, etc. – e produzir argumentos para defesa de um ponto de vista a respeito de um tema social”, explica Suelen.

De acordo com os pesquisadores, a identificação de lacunas no repertório linguístico dos estudantes permite aos pesquisadores a formulação de propostas de ensino-aprendizagem de tópicos gramaticais e de estratégias argumentativas de forma ativa. “Com os resultados, nós esperamos contribuir com o ensino e a aprendizagem de Língua Portuguesa no nosso país e, consequentemente, com a melhora nos índices de desempenho dos estudantes na prova de redação do Enem”, pontua Dalmo.

O uso correto dos operadores permite ao estudante escrever e (re)escrever, ampliando sua competência comunicativa. “O saber escolher e combinar recursos linguísticos, gramaticais, textuais para dizer/escrever o que se quer, produzir determinados efeitos de sentido por meio de diversos textos falados ou escritos, com base na situação de interlocução”, conclui Suelen.

O trabalho conquistou o primeiro lugar geral na 16ª Semana de Ciência e Tecnologia do CEFET-MG, evento tradicional na Instituição, realizado em março. “O evento é aguardado com muita expectativa por toda a comunidade acadêmica. Poder ganhar o 1º lugar geral e também na categoria “Linguística, Letras e Artes” foi muito gratificante, pois mostrou que estamos no caminho certo e que todo o trabalho que tivemos durante o ano valeu a pena. É um espaço extremamente rico em conteúdo, onde diversos especialistas comentam e dão feedbacks sobre a sua pesquisa, o que engrandece muito o trabalho. Ademais, é um momento extremamente colaborativo, em que você pode conhecer outras pesquisas relevantes e outros pesquisadores no mesmo segmento em que você atua ou em um totalmente diferente”, conclui Dalmo.

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