Usuário reencontra família após atuação da Assistência Social da UPA Ressaca

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Francisco Paulino da Silva, de 51 anos, estava há mais de um ano vivendo nas ruas e sem contato com a família. No final de abril deste ano, ele deu entrada na UPA Ressaca, levado pelo Serviço de Urgência (SAMU), para tratamento de doenças de pele e do tecido subcutâneo. Foi aí que entrou o trabalho e o empenho da equipe de Assistência Social da Prefeitura de Contagem, que permitiu ao paciente reencontrar sua família.

Esse serviço acontece em todas as unidades de urgência e emergência de Contagem, e possibilita a ampliação do acesso e a qualidade da atenção integral à saúde da população atendida nas UPAs.

Após a entrada de Francisco na unidade de urgência, as assistentes sociais acionaram a rede intersetorial e buscaram, por meio da equipe do Consultório na Rua e da Abordagem Social, outras informações sobre o paciente e se ele já era acompanhado por algum serviço do município.

Segundo a assistente social Ana Paula de Almeida, que acompanhou o caso de Francisco, junto com outra assistente, Sheila Louback, o serviço social realizou momentos de acolhimento e escuta durante todo o período de internação hospitalar do usuário. E a equipe do Consultório na Rua esteve na unidade para acompanhar o caso e facilitar a criação de vínculos.

“Ele concordou em ser encaminhado inicialmente para o Abrigo Bela Vista, quando tivesse a alta médica da UPA Ressaca, e continuar o acompanhamento de saúde com o suporte da equipe do Consultório na Rua, que seria responsável por acompanhá-lo e encaminhá-lo para uma equipe de UBS para continuidade dos curativos”, afirmou a assistente.

O reencontro

No entanto, no início do mês de maio, o Serviço Social da UPA Ressaca foi contactado por uma das assistentes sociais da UPA JK, que informou que uma senhora esteve na unidade em busca de informações sobre o paradeiro do filho desaparecido. Na ocasião, a senhora relatou que recebeu informações de populares de que o filho havia falecido.

Mas, por meio dos dados no sistema, foi possível identificar que o filho dessa senhora era Francisco. Desde então, a equipe da UPA Ressaca manteve contato com uma prima do paciente, que passou a receber boletim médico diário enviado pela equipe.

“Após contato com a mãe, Maria da Conceição Silva, Francisco apresentou para a equipe o desejo de voltar ao convício familiar, ao invés de ir para o Abrigo. Então, a prima dele fez essa ponte com a mãe e a nossa equipe, para que esse retorno fosse possível’, conta Ana Paula.

A mãe de Francisco relata que o filho sempre se recusava morar com ela, apesar do desejo dela de morarem juntos. “Ele vive nessa situação de rua há mais de 30 anos. Tem um ano que nos reencontramos e ele chegou a ir morar comigo, mas infelizmente só permaneceu por 15 dias e retornou para as ruas”, lamentou dona Maria.

Após quase um mês de internação na UPA, Francisco finalmente teve alta. “Foi um momento muito emocionante para todos, ficamos muito felizes em contribuir para que essa história tivesse um final feliz. É muito gratificante ver esse reencontro e ter participação nisso. Nosso cotidiano de trabalho é desafiador, somos constantemente chamadas a lutar pela defesa da igualdade e da justiça social. Buscamos desenvolver um papel humanizador para ajudar aqueles que precisam de nós no momento em que estão vulneráveis”, ressalta a assistente social da UPA Ressaca, Sheila Louback Barros.

O Consultório de Rua

O programa “Consultório na Rua” foi implantado em Contagem em 2019 e tem como objetivo levar acesso à saúde a aos usuários que se encontram em situação de rua. Os profissionais da saúde realizam os atendimentos na rua e vão até os usuários em situações em vulnerabilidade.

A Equipe é composta por enfermeiro, psicólogo, assistente social, técnico de enfermagem e técnico da saúde bucal. Quando necessário, além do atendimento na rua, os usuários são encaminhados para acompanhamento na Atenção Básica, CAPS, urgência e consultas especializadas.

A equipe do Consultório na Rua percorre a cidade através de um mapeamento feito em conjunto com a equipe de assistência social. São atendidas, em média, 70 pessoas por semana.

 

 

Repórter:

 

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