Diverso UFMG realiza diagnóstico do envelhecimento LGBT+ em Belo Horizonte

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Pojeto ‘Longeviver LGBT+’, parceria da UFMG com a PBH, quer entender como é envelhecer sendo pessoa LGBT+ na capital mineira

 

O que significa ser uma pessoa idosa LGBT+ em Belo Horizonte? Que desafios, questões, angústias, sensações, necessidades têm mulheres lésbicas, homens gays, travestis, pessoas trans e outras identidades de gênero e sexualidade dissidentes com mais de 60 anos na capital mineira? Que forma de discriminação experimentam, por serem idosas e por serem LGBT+? O projeto Longeviver LGBT+, fruto da parceria entre o Diverso UFMG – Núcleo Jurídico de Diversidade Sexual e de Gênero e a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, visa traçar um diagnóstico do envelhecimento da população LGBT+ na cidade.

A parceria foi construída ao longo dos últimos anos por meio de um diálogo entre o Programa de Extensão Diverso UFMG, da Faculdade de Direito da UFMG, e a Diretoria de Políticas para a População LGBT da Prefeitura de Belo Horizonte. Em 2021, a iniciativa se oficializou. O projeto busca construir instrumentos que subsidiem o poder público com informações a respeito de questões específicas sobre o processo de envelhecimento da população LGBT+ no município de Belo Horizonte e a percepção de pessoas idosas LGBT+ sobre o acesso e a qualidade dos serviços públicos.

O projeto se justifica pelo cruzamento de experiências da velhice e da vivência de identidades de gênero e sexualidades dissidentes. O ponto de partida são as conhecidas formas de violência contra a população idosa. O abandono financeiro ou a exploração econômica, a violência física, a violência psicológica, a violência conjugal, a violência sexual, o abandono e negligência, a autonegligência e o isolamento social figuram entre as formas mais comuns de violações de diretos.

“Embora conhecidos, por outro lado, os instrumentos legais que garantem a proteção da pessoa idosa (especialmente o Estatuto do Idoso ou Lei nº 10.741/03), no que diz respeito às violações dos direitos da população idosa LGBT+, nenhum diagnóstico específico foi realizado na capital mineira. E a importância é redobrada, considerando o duplo processo de estigmatização e invisibilização desta população, bem como o fato de que não há dados ou estudos voltados especificamente a esse público na cidade de Belo Horizonte”, afirmam os coordenadores do projeto.

Metodologia

Nesse contexto, o projeto compreende uma série de ações articuladas com vistas a um diagnóstico situacional, orientado por pesquisa de opinião pública. Serão aplicados questionários on-line, para uma percepção aproximativa das grandes demandas, e aprofundamentos em entrevistas e observação de realidades. A ideia é promover uma aproximação entre o Estado e a sociedade, possibilitando uma melhor qualificação dos serviços públicos em todas as suas fases (formulação, implementação, monitoramento e avaliação).

Além disso, o projeto permite inovar, ao compreender de maneira mais adequada as necessidades, percepções e avaliações dos cidadãos-usuários sobre os serviços ofertados no município, bem como outros aspectos relevantes de suas vidas que deveriam ser considerados pelo poder público quando da construção de novas políticas públicas.

O diagnóstico pretende se constituir a partir de uma compreensão multidisciplinar e detalhada do processo de envelhecimento da pessoa LGBT+ na cidade de Belo Horizonte, a partir dos seguintes critérios: perfil socioeconômico; estrutura da família e histórico de fragilização de vínculos familiares; saúde mental e processos de adoecimento na velhice; violações de direitos e histórico de violência LGBTfóbica; percepção sobre segurança; vivência da sexualidade, matrimonialidade e outras relações afetivas; consumo, patrimônio e turismo.

A ideia também é avaliar a percepção da pessoa idosa LGBT+ sobre o acesso e a qualidade dos serviços públicos utilizados. Inclui-se a avaliação de acesso e qualidade de serviços de saúde, assistência social, transporte público e mobilidade urbana, educação e cultura; acesso e qualidade de políticas de geração de renda e aspectos relacionados à empregabilidade da pessoa idosa LGBT+, além de acesso aos espaços públicos municipais e políticas de esporte e lazer.

A primeira fase da pesquisa, com questionário on-line dirigido a pessoas idosas LGBT+ que morem em Belo Horizonte, pode ser conhecida e respondida em: https://forms.gle/NiS8RkGxdJKgTZtF6.

Mais informações e contato nas redes e site do Diverso UFMG: http://www.diversoufmg.com/.

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