Autoexame da mama não substitui ida ao médico periodicamente

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No mês dedicado a prevenção do câncer de mama, oncologista alerta para a necessidade de fazer os exames clínicos periódicos para mulheres entre 40 e 69 anos

O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres e chega a 25% dos casos no mundo. No Brasil esse número supera a média mundial com 29% de incidência, segundo informações divulgadas pela Biblioteca Nacional da Saúde. Uma estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), mostra que podem surgir 66.280 novos casos em 2020. Por isso, neste mês, quando acontece a campanha mundial Outubro Rosa, a médica oncologista Eloise Allen (CRM GO 13574), que atende no Centro Clínico do Órion Complex, alerta para a necessidade de fazer o exame clínico, principalmente para mulheres com mais de 40 anos, de acordo com recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia, que também indica uma mamografia a cada dois anos mesmo para mulheres sem lesões.

 

O câncer de mama é causado pela multiplicação desordenada das células da mama formando tumores que podem desencadear a doença. “Alguns têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem mais lentamente. Esses comportamentos distintos se devem às características próprias de cada tumor”, detalha Eloise. Por isso, é imprescindível que as mulheres façam exames clínicos periódicos, independente de terem sintomas. Em 2018, a doença levou 1.206 mulheres a óbito apenas no Centro-Oeste, no Brasil, foram mais de 17 mil mortes,  de acordo com o Inca.

 

O autoexame, segundo Eloise, tem como objetivo, instituir nas mulheres a importância do conhecimento do próprio corpo para poder auxiliar um diagnóstico de câncer. No entanto, ele não substitui o exame clínico do médico e a mamografia, já que não existe uma forma eficiente de prevenir a doença, que pode estar relacionada à predisposição genética e até mesmo a hábitos pouco saudáveis de vida. Outro ponto importante é que nem só a presença de um caroço indica o câncer de mama e qualquer alteração nas mamas deve ser sinal de alerta. Entre os sintomas estão alteração no tamanho da mama, nódulo único e endurecido, vermelhidão, inchaço, calor ou dor na pele da mama, espessamento na pele do mamilo e secreção.

 

Eloise explica que via de regra, o autoexame de mama é sugerido para mulheres adultas. “Partindo disso, ele pode ser estimulado após a primeira menstruação, quando a menina já teria maturidade suficiente para notar as diferenças fisiológicas.” De acordo com ela, o câncer de mama em criança é extremamente raro e entraria no cerne das neoplasias raras da infância com comportamentos e tratamento diferenciados.  “Acredito que o caso mais jovem tenha ocorrido nos EUA em 2015 em uma menina de 8 anos”, exemplifica.

 

A especialista lembra que inicialmente o tratamento consistia na retirada de toda a mama, com grandes mutilações para as mulheres. Ao longo dos anos as técnicas cirúrgicas conservadoras ganharam espaço graças à associação com quimioterapia no tratamento inicial para redução tumoral e radioterapia com taxas de cura semelhantes à retirada completa da mama. “Hoje temos ainda o uso de drogas-alvo, aquelas que ainda agem em um local específico do tumor, com  menos efeitos colaterais comparados à quimioterapia, e na mesma linha de redução de sintomas do tratamento temos os anticorpos monoclonais, que agem na produção de anticorpos específicos contra o câncer”.

 

Mas tudo depende do estágio em que tumor foi detectado e do tipo dele. Quando a doença é diagnosticada no início, o tratamento tem maior potencial curativo. No caso de a doença já possua  metástases (quando o câncer se espalhou para outros órgãos), o tratamento busca prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida.

 

Embora também seja raro, os homens também têm tecido mamário e portanto, estão sujeitos a um câncer de mama com uma taxa de casos de  aproximadamente 1%. O alerta seria sobre a importância de notar crescimento de nódulo que configura a principal manifestação no sexo masculino e buscar atendimento médico. “Caso haja algum caso em homem na família,  é considerada a possibilidade de componente de transmissão familiar e as mulheres devem ser investigadas”, pontua.

 

Neste Outubro Rosa 2020, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) lançou o movimento de conscientização “Quanto antes melhor”. A ideia é chamar a atenção das mulheres para a adoção de um estilo de vida saudável no dia a dia, com a prática de atividades físicas e boa alimentação.

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