Carnaval tem 27,6% de redução nos crimes violentos e aumento do uso de tecnologias

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Governador e representantes das Forças de Segurança apresentaram, nesta terça-feira, os resultados da folia no estado

Redução da criminalidade e uso maciço de tecnologia na proteção do cidadão mineiro. Esse é o balanço da Segurança Pública no Carnaval 2020 em Minas Gerais, que tem como destaque a diminuição de 27,6% no total de crimes violentos ocorridos em todo o estado, entre sexta-feira de Carnaval e Quarta-feira de Cinzas, no comparativo 2019 e 2020. Os dados foram apresentados nesta terça-feira (3/3), pelo governador Romeu Zema e representantes das Forças de Segurança, na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte.

Para o governador, a queda na criminalidade deve atrair ainda mais turistas para o estado nos próximos anos e criar um ambiente economicamente favorável.

“Estou extremamente satisfeito com os resultados. É preciso criar essa conscientização de que é possível se divertir e ir ao Carnaval sem ser irresponsável. Nós queremos que Minas Gerais, a cada ano, atraia mais foliões, tenha um Carnaval que ocupe mais os hotéis e gere mais empregos. E não tem nada que produza mais esse efeito do que um Carnaval seguro. O que nós estamos fazendo aqui é criar um ambiente para que quem venha passar o Carnaval não enfrente problemas. Nós sabemos que Carnaval organizado atrai turistas. Este ano atraímos mais que no ano passado, e queremos aumentar ainda mais no ano que vem”, disse.

No pacote dos crimes avaliados estão 11 naturezas criminais: homicídio tentado e consumado, roubo tentado e consumado, furto consumado e tentado, lesão corporal, vias de fato/agressão e crimes sexuais, que englobam estupro, estupro de vulnerável e importunação sexual.

Interior

Além do bom resultado alcançado em todo o estado, a avaliação das regiões de Minas também aponta para o bom trabalho desenvolvido pelas Forças de Segurança. A Região Integrada de Segurança Pública 11 (Risp 11), por exemplo, com sede em Montes Claros, teve 68% de diminuição dos índices, assim como a Risp 7, com sede em Divinópolis, que chegou a 54,6% de redução (ver quadro).

Para Zema, a utilização de tecnologias e o trabalho integrado foram cruciais para alcançar os números positivos. “Fizemos uso de tecnologia, ampliando a sua utilização. No ano passado, quatro drones foram utilizados. Neste ano, foram nove. E o drone faz um trabalho abrangente, aumentando substancialmente o policiamento”, afirmou.

De acordo com o general Mario Araujo, secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, os índices podem ser atribuídos a uma maior integração entre as Forças de Segurança.

“Um ponto forte deste Carnaval, assim como deste governo, é a integração das forças. Essa é uma das explicações desse resultado de cerca de 27% na queda dos crimes violentos, além da presença efetiva da nossa Polícia Militar em todas as áreas de atuação e da Polícia Civil que trabalhou com muita ostensividade”, enfatizou.

Também participaram da apresentação o chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, delegado Wagner Pinto; e o chefe do Gabinete Militar e coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Rodrigo Rodrigues; o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Edgard Estevo; e o comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Giovanne Gomes da Silva.

Crimes violentos

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Minas acumulou 26,3% de redução nos roubos, que caíram de 1.089 registros nos seis dias considerados oficialmente como Carnaval em 2019, para 802 registros em 2020. Os furtos consumados e tentados também diminuíram 15,4%, saindo de 5.930 ocorrências em 2019, na folia, para 5.014 no mesmo período deste ano. Já os homicídios tiveram 13 registros a mais no estado neste ano durante a folia, passando de 41 para 54 ocorrências registradas.

Quando se estratificam furtos e roubos, os dados apontam para uma redução de 23,6% no número de celulares roubados (791 para 604) e de 2,5% no número de celulares furtados (2.083 para 2.032). Este é um dos índices monitorados por ser um dos principais objetos alvos de furto e roubo.

O comandante-geral da Polícia Militar de MG, coronel Giovanne Gomes da Silva, afirmou que o empenho de todo o contingente policial nas ruas foi necessário para garantir os resultados, já que o número de eventos cresceu em todo o estado.

“No ano passado, nós tivemos pouco Carnaval no interior e um grande na capital. Já neste ano, tivemos muito Carnaval no interior e também em BH. Então, o desafio cresceu e cabia aos órgãos de segurança colocar polícia em todos esses locais. Para isso, nós não concedemos férias e nenhuma dispensa. Todo o efetivo da PM foi colocado nas ruas, do comandante-geral ao soldado mais novo. Essa ostensividade trouxe sensação de segurança para o cidadão de bem e de insegurança para o criminoso”, explicou.

Capital

Em Belo Horizonte, segundo estimativa da Belotur, pelo menos 5 milhões de pessoas ocuparam as ruas da cidade, em um dos maiores carnavais do Brasil. Na capital, a redução do número de crimes violentos foi de 26,4%, com 143 registros a menos (541 na folia passada para 398 neste ano).

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Já os roubos diminuíram 23,5%, passando de 468 para 358. Os furtos caíram 10,8%, passando de 2.260 para 2.014. Já os homicídios mantiveram o mesmo número de sete ocorrências nos dois períodos de folia –  em 2019 e 2020.

Vigilância e bloqueio de celular

Nos principais pontos de aglomeração de foliões em BH, duas carretas do Centro Integrado de Comando e Controle Móvel (CICC Móvel), da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), reforçaram a fiscalização. O CICC Móvel é uma superestrutura tecnológica que reúne sistemas de segurança pública e observação por câmeras embutidas no caminhão que alcançam até cinco quilômetros, com visão térmica e noturna, contribuindo para a identificação de armas e objetos perfuro cortantes, por exemplo. O local também é posto para trabalho integrado de profissionais de diferentes corporações e rápida tomada de decisões em caso de intervenção.

No CICC Móvel, pela primeira vez no Carnaval, foi possível bloquear em até três horas um aparelho de celular roubado ou furtado durante a folia. Os profissionais utilizaram a Central de Bloqueio de Celulares, da Sejusp, que é uma plataforma que permite a inutilização dos celulares roubados e furtados – para proteção dos dados da vítima e para evitar que o produto seja utilizado como moeda de troca no mundo no crime. Neste ano, o número de bloqueios aumentou sete vezes no Carnaval, na comparação com o mesmo período do ano passado: