DE MULHER PRA MULHER

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Dulce Bravo
Empresária e Cerimonialista

Inicio com uma frase que muito me faz refletir e, não tenho dúvidas, que muitas de vocês irão se identificar. A frase é do livro Mulheres que correm com Lobos da autora Clarissa PinkolaEstés, inclusive recomendo a leitura deste livro.
“Por isso, igual a muitas mulheres antes e depois de mim, passei minha vida como criatura disfarçada.”
Esta frase me remete a todas as vezes em que tive uma frase interrompida, pelas vezes em que algum chefe não me deixou concluir uma ideia. Pelas vezes em que fui “cantada” e não pude responder da forma que queria e deveria ter respondido.

Por todas as vezes que disfarcei minhas vontades de gritar.
Por todas as vezes que disfarcei minhas lágrimas tendo que engolir meu choro.
Por todas as vezes que disfarcei minhas fragilidades e me mostrei forte para acalmar meus filhos.
E assim vivemos, nós mulheres, nos disfarçando quase o tempo todo para nos encaixar em lugares e situações.
Nos disfarçando para atender a padrões impostos desde que o mundo é mundo.
Mas seguimos firmes, lutando um dia de cada vez e conquistando, mesmo que de forma lenta, o que nossas antepassadas jamais imaginaram que iríamos conquistar.
Arrancamos o nosso disfarce e fizemos greve ainda que não tenhamos as nossas reivindicações atendidas.
Conquistamos o direito de votar ainda que não consigamos ocupar todas as cadeiras que temos direito.
“Ganhamos” uma lei que nos protege de machos agressores ainda que muitas de nós são assassinadas pelos companheiros.
Nossas conquistas são importantes, poucas mas importantes, e isto nos leva cada vez mais a arrancar nossos disfarces e nos transformar em mulheres que gritam, mulheres que lutam.
Porque Mulher e Luta me soam como uma única palavra.
Que os nossos gritos.
Que as nossas lutas sigam além de 8 de março, além do mês de março.
Que a nossa luta seja constante, seja bandeira de vida pra vida e pela vida

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