Disputa virulenta

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Wagner Donato
Professor

Acabo de terminar meu tele trabalho diário em tempos de pandemia.
Se a gestão presencial na Secretaria de Meio Ambiente não é nada fácil, quanto mais através de e-mails, WhatsApp e Skype.
Diariamente tenho despachado virtualmente com técnicos, fiscais e demais colaboradores sobre assuntos de interesse público, das 08 às 17 horas.
Depois, entrego-me às responsabilidades de presidente de partido.
Uma vez que o fim do prazo para filiações se aproxima, analiso rapidamente o comportamento
dos meus colegas dirigentes partidários e dos pré-candidatos a eleição proporcional.
Lamentavelmente o que vejo é mais do mesmo. Uma maioria de partidos sem organicidade, sem militância, sem conteúdo programático, sendo usada para garantir a vitória de quem já tem mandato. Do outro lado, “marinheiros de primeira viagem” e candidatos já testados nas urnas escolhendo o partido que elege com menos votos num leilão insano. É muita gente buscando viabilizar projetos pessoais. Projetos coletivos são raros.
Preocupação com uma reforma política que bote ordem nesse caos, nem de longe.
Se de 2002 até 2018, no plano nacional ficamos reféns da polarização PSDB/PT com o PMDB e o DEM fisiologicamente sustentando coalizões ao centro e à direita, temos que conviver agora com uma extrema direita amalucada, uma esquerda ultrapassada e um ensaio ao centro protagonizado pelo demagogo governador paulista. E o eleitor, com muita razão, já não acredita em nenhum político.
Bem feito pra nós! Há partidos com programas bons, modernos e progressistas. Porém, na disputa local, o varejo do pragmatismo desqualificado nivela por baixo e vamos todos para a vala comum e salve-se quem puder.
E enquanto nossos partidos batem cabeça nem sabemos quando acontecerão as eleições.
Nós Verdes, defendemos, desde a nossa fundação, o parlamentarismo. Somos contra prorrogação de mandatos, sabemos que provavelmente as eleições serão adiadas, mas defendemos uma saída que respeite a democracia e o sagrado resultado das urnas.
Quem sabe, a partir do fortalecimento do municipalismo, numa construção cidadã, possamos viabilizar uma frente democrática que faça a reforma política e possibilite eleições parlamentares três meses após as eleições majoritárias, tudo no mesmo ano.
Sigamos sonhando e militando.

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