Global contagense prestigia evento afro na cidade

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Érika Januza, que viveu a juíza Raquel em “O Outro Lado do Paraíso”, esteve presente ao acontecimento. Mais do que celebrar uma tradição há mais de 40 anos, a data assinala a importância da luta em favor dos direitos das populações negras.

Para marcar os 130 anos da abolição da escravatura, celebrados no dia 13 de maio, a Comunidade Quilombola dos Arturos, situada no bairro Jardim Vera Cruz, no centro de Contagem, promoveu, com o apoio da Prefeitura Municipal, uma programação diversificada ao longo de todo o domingo. O evento contou com diversos especialistas em cultura afro-brasileira e trouxe, de volta, uma contagense que ficou conhecida no cenário nacional recentemente. Érika Januza, atriz que viveu a juíza Raquel, em “O Outro Lado do Paraíso”, é nascida na cidade e fez questão de estar presente.

A atriz fez questão de ressaltar o orgulho que tem ao deixar claro que vem de Contagem e reafirmou a importância da valorização negra: “A Comunidade dos Arturos é conhecida nacionalmente. No processo de preparação para o personagem, perguntaram-me se eu já tinha ouvido falar dos Arturos, porque a história da comunidade era importante no meu processo de composição do personagem. Eu faço questão de dizer que sou de Contagem. Tenho muitos parentes nos Arturos, tenho muito orgulho da cidade e das pessoas daqui. Estou muito feliz em poder participar dessa celebração de hoje e acho que temos de vivê-la todos os dias. Temos menos oportunidades, muitas vezes a polícia nos aborda só por causa da nossa cor. Por causa da cor da nossa pele, somos subjugados todos os dias. Seja o pedreiro a dona de casa ou a atriz: não é fácil! Tudo o que nossos antepassados passaram foi por nós, que estamos hoje, aqui. Representatividade importa”, disse a atriz, emocionada.

Pessoas de grande relevância para o movimento negro, como o especialista em cultura afro-brasileira e religiões de matrizes africanas Erivaldo Pereira dos Santos, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), a especialista em línguas africanas Ieda Pessoa de Castro, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o presidente da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Contagem, Marcos Eustáquio dos Santos, rainhas e reis de guardas de Congo e Moçambique, autoridades e políticos ligados à defesa das minorias prestigiaram a celebração.

A festividade

Festejos começaram ainda antes de o sol nascer. Desfiles que percorreram o trajeto entre a Casa de Cultura Nair Mendes e a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, encontro de cerca de 20 guardas de congada convidadas na Matriz do Rosário, com ato público, encenação teatral sobra a abolição com o grupo “Arturos Filhos de Zambi” e missa Conga, e o retorno em cortejo da Matriz do Rosário até a Comunidade dos Arturos também aconteceram.

Representando a Prefeitura, o secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Marcelo Lino enfatizou a relevância da existência dos Arturos para o município e da afirmação do caráter de luta em torno da data: “É um orgulho para nós termos um quilombola reconhecido nacionalmente. É importante celebrar a data, mas é também preciso desmistificá-la. O 13 de maio foi o marco de uma luta de 300 anos antes, com resistência feita debaixo da chibata e de muito sangue. É preciso reconhecer a enorme dívida que a população brasileira tem com os afrodescendentes”.

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