Lançamento do livro de Priscilla Gontijo

By

capa_livroRELIGIÃO E JOGOS DE PODER: O CONTRA MÍDIAS DE DEMÓTENES

PRISCILLA GONTIJO LEITE

Palavras chaves: retórica, democracia grega, religião grega, Demóstenes.

Currículo

Professora Adjunta de Pré-História e História Antiga da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Doutora em Mundo Antigo pela Universidade de Coimbra, aprovada com Distinção e Louvor por unanimidade. A tese foi publicada pela editora Imprensa da Universidade de Coimbra com o título “Ética e retórica forense: asebeia e hybris na caracterização dos adversários em Demóstenes”. Mestre em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com graduação em História pela mesma instituição. Possui experiência na área de docência, pesquisa, coordenação de projetos e administração pública.

Sinopse

O funcionamento da democracia ateniense permite a articulação de jogos de poder entre grupos que disputam a proeminência política. Esses jogos de poder se relacionam diretamente com cidadania, uma vez que uma característica essencial da democracia ateniense é a ampla participação daqueles considerados cidadãos. Dessa forma, a liderança política tinha que cooptar para perto de si o maior número de cidadãos para conseguir o apoio político na assembleia. Para essa operação, era necessário convencer o cidadão a participar de sua causa. Portanto, a retórica estava ativamente presente em todas as esferas da vida e se transformou no instrumento mais eficaz caso um cidadão desejasse se destacar na condução dos assuntos da pólis. É justamente a retórica que oferece elementos a nós modernos para entendermos e refletirmos sobre alguns aspectos essenciais da democracia ateniense.

Ao utilizar os discursos forenses como fontes históricas, podemos perceber claramente as disputas políticas em jogo e como rivalidades políticas extrapolavam a assembleia e chegavam aos tribunais. Exemplo disso é o caso relatado no discurso Contra Mídias. Ali, o orador Demóstenes acusa seu inimigo, Mídias, de agressão durante as Grandes Dionisíacas do ano de 348, enquanto exercia a liturgia da coregia. Para compor sua ação de ofensa à festa, probolē, Demóstenes construí sua argumentação utilizando o argumento

da impiedade (asébeia). Ao analisar a utilização de elementos religiosos nos discursos forenses, nota-se que eles são extremamente eficazes para atrair a simpatia do ouvinte, pois permite a construção da imagem do adversário como mau cidadão.

Dessa maneira, a leitura do Contra Mídias permite entender a construção da polaridade entre o bom e o mau cidadão, bem como seu uso retórico nos jogos de poder. O bom cidadão, representado por Demóstenes, é aquele que respeita seus concidadãos, as leis da cidade e a esfera divina, já o mau, por outro lado, simbolizado por Mídias, desdenha de todos esses aspectos.

foto-2jpg-2

 

Você pode querer ler

Mais quentes