MITO OU VERDADE: PETS TRANSMITEM CORONAVÍRUS?

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João Vitor Viana
Repórter

Eis uma grande questão em meio ao surto de coronavírus: animais de estimação ou qualquer outro animal têm a capacidade de ser um transmissor ao ser humano?

Em tempos onde o abandono de animais é uma covardia sem precedentes, isso poderia ser, inclusive,
uma das “desculpas” dadas por algumas pessoas em tempos de pandemia.
Contudo, não é bem assim que as coisas funcionam. Na opinião do médico veterinário Daniel Lucas do Carmo CRMV-MG 19.974) não há qualquer evidência que provem que animais domésticos ou de criação são capazes de serem transmissores de coronavírus aos seres humanos. “Em março, em Hong Kong, foram identificados dois cães que foram detectados com material genético do vírus. Porém nenhum
animal apresentou sintomas clínicos da doença, além de apresentar resultado ‘fraco positivo’.
Os tutores desses animais foram diagnosticados com o COVID-19, sugerindo que estes animais estivessem apenas contaminados pelo vírus. No entanto, a infecção nos donos possivelmente ocorreu por outros fatores, estes conhecidos, como contato com alguém infectado ou mesmo pelo ar. Não seria, portanto, por um espirro do animal ou por uma lambida”, destacou.
Como trata-se de uma doença ainda nova e em estudo, apesar de não haver, comprovadamente essa transmissão, recomenda-se precaução de contato com os animais, caso os seres humanos estejam contaminados. “Por não haver muitos estudos, devido ser uma doença nova, o CDC (sigla em inglês de
Centro para Controle e Prevenção de Doenças) dos EUA recomenda que pessoas doentes restrinjam o contato com seus pets. Quando possível, que os cuidados básicos sejam feitos por outra pessoa. Caso não seja possível, recomenda-se a higienização das mãos com água e sabão, pré e pós manejo, além de
utilizar máscara facial”, comenta.
Curiosidades
Apesar do novo coronavírus estar em evidência, a sua prevenção em animais, em especial, nos cachorros, é antiga. Por sinal, é uma das doenças que constam na lista de imunizações recomendadas por veterinários quando o animal ainda é filhote. “O coronavírus canino é uma patologia já existente, mas
difere muito desse novo, sem relação, portanto, com o SARS-Cov-2, que se tornou uma pandemia mundial. Inclusive, há vacina canina, que são elencadas nas famosas três doses que são dadas ainda quando o cachorro é filhote.
Essa vacina, no entanto, justamente por tratar de um vírus diferente, não pode ser usada em humanos, podendo causar danos à saúde”, conta.
Profilaxia
A fim de evitar que o cachorro ou outro pet que vá à rua possa ser um condutor do vírus, Daniel Lucas destaca que é recomendado que depois de passear, o dono do pet tome alguns cuidados. “Não é sabido, ainda, se há alguma transmissão de animais. Contudo, para evitar que ele possa ser um potencial condutor do vírus, é importante que, caso saia, que as patinhas e focinho sejam higienizados com água
e sabão. Da mesma forma que se recomenda a troca de roupa e banho em humanos, é importante que o cão esteja sempre limpo”, diz. E faz uma recomendação:
“Se possível, faça atividades com o cão dentro de casa. É sempre possível que isso ocorra”, finaliza

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