Primeiro atendimento de fototerapia feito em casa

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Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) conta com cinco aparelhos para o tratamento de icterícia

 

No dia 6 de abril, na Maternidade de Contagem, Gabriellly Victoria nasceu de parto cesárea. Embora prematura de oito meses, não apresentou intercorrências. Quando estava prestes a ir para casa, um exame detectou um quadro de icterícia, condição comum em recém-nascidos. Quando a criança fica ictérica, sua pele ou branco dos olhos ficam amarelos, geralmente porque a quantidade produzida de uma substância naturalmente gerada pelo corpo humano, chamada bilirrubina, é maior do que a capacidade do seu fígado de metabolizá-la.

Três dias após seu nascimento, Gabrielly Victoria foi submetida ao tratamento de fototerapia, que consiste na utilização de aparelhos emissores de radiação que imitam a luz solar, mas não queimam a pele. A menina precisaria ficar internada na ala pediátrica até que tivesse as taxas de bilirrubina no sangue normalizadas. Mas a criança não precisou ficar internada no hospital para completar o tratamento.

Graças a uma parceria entre profissionais de saúde da maternidade e do Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) de Contagem, que contou com a liberação de compra de cinco aparelhos de fototerapia pela Prefeitura Municipal de Contagem (PMC), por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Gabrielly Victoria pôde fazer o tratamento no conforto de seu lar.

É a primeira vez no âmbito do SUS Contagem que um bebê é desospitalizado para seguir tratamento de fototerapia no próprio domicílio. Onze profissionais estiveram envolvidos nesse procedimento, entre pediatras (2), enfermeiros (2), técnicos de enfermagem (6) e assistente social (1). Após quatro dias de tratamento domiciliar, a menina recebeu alta. Com a aquisição desses equipamentos, passou a ser possível desospitalizar até cinco crianças para tratamento de icterícia domiciliar, simultaneamente.

“Agora, com a disponibilização de equipamentos, iniciamos as desospitalizações. Os aparelhos ficam na casa da família e os familiares são treinados a operá-los sem a presença da equipe”, explica a referência técnica do SAD e enfermeiro da equipe pediátrica, Erivelton Cordeiro Carvalho. O SAD Pediátrico Contagem pode atender até 40 pacientes em geral, com idades entre zero e 12 anos. Em média, quatro crianças são desospitalizadas por semana.

Viabilidade

A internação domiciliar para fototerapia é uma alternativa viável para liberar leitos de enfermaria que poderiam ser ocupados para tratamento de casos mais graves e causar menos transtornos aos nenéns e suas famílias. A demanda pelo tratamento de fototerapia domiciliar na maternidade é antiga. O primeiro passo para que ela pudesse ser concretizada ocorreu em 2016, com a criação do SAD Pediátrico de Contagem. Porém, o tratamento para icterícia neonatal seguia sendo feito no hospital, devido à ausência de equipe e recursos materiais.

A internação para tratamento de icterícia no alojamento conjunto da maternidade é relativamente comum: dos 16 leitos de enfermaria pediátrica do hospital, entre dois e quatro deles geralmente estão ocupados para tratamento de fototerapia. Nesses casos, o bebê precisa permanecer no hospital, ambiente no qual o risco de contrair infecções existe e não é desprezível. Há também a possibilidade de a permanência no hospital provocar estresse e cansaço à criança e mãe. “Os maiores benefícios estão relacionados ao conforto do cuidado no lar. Normalmente, nesses casos, as mães ficam internadas em média sete dias na maternidade”, atesta Erivelton Carvalho. “Sentimentos como estresse e depressão são frequentes no ambiente hospitalar. Sabemos também que muitas têm outros filhos e outras atividades. O atendimento em domicílio fortalece o vínculo familiar e o aleitamento materno”, completa a diretora do Departamento de Atenção Domiciliar da SMS, Andreia Devislanne Ribeiro.

A mãe de Gabrielly Victoria, Mislene Gomes da Silva, aprovou a desospitalização: “Eu preferi fazer em casa mesmo. Além da Gabrielly Victoria, tenho outros filhos. Recebi treinamento e passei a operá-lo sozinha, é muito fácil mexer nele. Mas a equipe vinha todos os dias para verificar as coisas e dar assistência. Foi ótimo”, comemorou. Após ter enfrentado a prematuridade, contando com o auxílio da equipe da maternidade municipal e do SAD pediátrico, Gabrielly seguirá vida afora vencendo outros desafios que virão. Sorte e saúde para a Gabi!

 

Foto Crédito: Divulgação e Fábio Silva

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