Tédio o amigo da criatividade

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Por Kênia Nepomuceno

Psicologa

 

Como pessoas que correm para lá e cá o tempo todo, muito pouco aproveitamos o descanso, tédio ou ócio, principalmente pela associação entre tédio e preguiça, e esses conceitos por vezes são associados a uma suposta falta de propósito na vida. Em uma sociedade em que o conceito de felicidade está tão atrelado à produtividade, as pessoas entediadas devem, logicamente, estar infelizes. E olha um grande equívoco sendo cometido, o tédio faz parte da nossa modulação de personalidade, principalmente na aceitação mediante as frustações, que a vida nos apresentam, ele nos faz pensar, repensar e nos encontrarmos cada vez mais com o nosso interior, mas, se fujo dele, também fujo de mim mesmo.

E para o momento que estamos vivendo, em casa, nessa quarentena, temos sentimentos mistos entre tédio e falta de criatividade, o que acaba trazendo um desespero em nossas emoções. Mas se conseguirmos aliar o momento de ócio a nossa criatividade, poderemos ter boas ideias. Na ociosidade mental, essa que acontece, quando estamos no banho, deitados olhando para o teto, deitados no sofá ou escutando música, concentrados naquele momento do descanso. Uma ressalva importante que faço, é que nosso cérebro precisa de um descanso, imagina se nunca desligarmos o motor de um carro, sem sombra de dúvidas ele irá fundir e por isso as pausas ociosas são importantes, para que a fisiologia do nosso cérebro se recomponha, realizando novas produções no futuro.

Se ainda você não consegue pensar no tédio como positivo, experimente realizar pausas, sem o telefone celular nas mãos, sem filmes, noticiários, listas de tarefas, simplesmente se permita ouvir o seu próprio barulho interior. Use este momento para se conhecer, se permitir não pensar no amanhã, e com certeza uma leveza de alma sentirá, e ela te levará a uma renovação de energia e esperança para lidar com o necessário nos próximos dias, principalmente porque ideias criativas surgem, quando não pressionamos a nós mesmos.

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