Após recorde de 40 mil divórcios, Roberson Dariel alerta
Número assustador de divórcios no Brasil
O Brasil vive um momento de atenção quando o assunto é a estabilidade dos relacionamentos. Dados recentes apontam um recorde superior a 40 mil divórcios registrados em um único período, além de uma taxa que já chega a 47,4 divórcios para cada 100 casamentos formalizados. O cenário revela não apenas o aumento das separações, mas uma mudança profunda na forma como os vínculos afetivos estão sendo construídos e rompidos.
O crescimento acelerado dos divórcios tem sido acompanhado por profissionais que atuam diretamente com casais em crise. Entre eles está o Pai de Santo Roberson Dariel, que observa um padrão recorrente nos atendimentos: relações que não terminam por grandes conflitos explícitos, mas por um desgaste silencioso, alimentado principalmente por infidelidade emocional e pela dinâmica da vida digital.
“Hoje, muitos casamentos acabam sem uma traição física. Eles acabam porque a conexão foi sendo desviada aos poucos para fora da relação”, afirma Dariel. Para ele, o momento atual exige atenção, pois a forma de se relacionar mudou mais rápido do que a capacidade emocional das pessoas de lidar com essas mudanças.
A infidelidade emocional é a nova pandemia dos casamentos
A infidelidade emocional tem se destacado como um dos principais fatores de desgaste conjugal. Diferente da traição tradicional, ela acontece de forma sutil, muitas vezes sem contato físico, mas com forte envolvimento afetivo fora do relacionamento. Conversas constantes, confidências íntimas, troca de apoio emocional e vínculos digitais paralelos são alguns dos sinais mais comuns.
Dariel explica que esse tipo de infidelidade costuma ser minimizado por quem pratica, mas profundamente sentido por quem descobre. “A pessoa diz que não fez nada de errado porque não houve toque. Mas emocionalmente, ela já saiu do relacionamento”, afirma. Segundo ele, essa ruptura invisível corrói a confiança de maneira lenta, porém intensa.
Nos atendimentos, o relato costuma seguir o mesmo padrão: um parceiro percebe distanciamento, mudanças de comportamento e ausência emocional, enquanto o outro se mostra defensivo ou indiferente. “Quando o casal chega até nós, a dor já está instalada. A confiança foi quebrada antes mesmo de alguém admitir”, observa Dariel.
A traição como principal causa de separação na era digital
A era digital ampliou significativamente as possibilidades de envolvimento fora do casamento. Redes sociais, aplicativos de mensagens e ambientes virtuais criaram espaços onde conexões emocionais se desenvolvem com facilidade e rapidez. O que começa como conversa casual pode evoluir para vínculo profundo sem que o casal perceba o impacto.
Para Dariel, a tecnologia não é a causa isolada, mas o catalisador de fragilidades já existentes. “O digital acelera o que já estava fragilizado. Quando o relacionamento perde diálogo e presença, alguém de fora ocupa esse espaço”, afirma. Ele destaca que a traição, hoje, raramente começa de forma explícita. Ela se constrói na repetição diária de pequenas ausências.
O número crescente de divórcios associados à infidelidade reflete essa nova dinâmica. Diferente de décadas passadas, em que a traição física era o principal gatilho, hoje o envolvimento emocional fora da relação é suficiente para romper o vínculo. A sensação de substituição afetiva é um dos fatores mais difíceis de serem superados.
47,4 divórcios para cada 100 casamentos registrados
A taxa de 47,4 divórcios para cada 100 casamentos registrados evidencia a fragilidade das uniões formais no Brasil atual. O dado indica que quase metade dos casamentos não consegue se sustentar ao longo do tempo, mesmo com a formalização legal da união.
Esse índice revela uma mudança estrutural. O casamento deixou de ser visto como compromisso de longo prazo sustentado por adaptação mútua e passou a ser encarado como vínculo condicionado à satisfação emocional imediata. Quando essa expectativa não é atendida, o rompimento se torna uma opção cada vez mais rápida.
Dariel avalia que essa estatística reflete uma dificuldade coletiva de lidar com frustração e conflito. “Relacionamento exige negociação, paciência e reconstrução constante. O que vemos hoje é uma pressa em desistir quando surgem as primeiras dificuldades”, afirma.
O desgaste silencioso antes da separação
Um dos pontos mais preocupantes observados por Dariel é que muitos casais chegam à separação sem perceber quando o relacionamento começou a se perder. O desgaste acontece de forma gradual, em pequenas escolhas diárias: menos diálogo, menos presença, mais atenção fora da relação.
“A separação não começa no divórcio. Ela começa quando o casal para de se escolher todos os dias”, explica. Segundo ele, a infidelidade emocional costuma ser consequência desse afastamento progressivo, e não o ponto inicial.
Quando o casal se dá conta do problema, o vínculo já está enfraquecido. A reconstrução se torna mais difícil, especialmente quando há envolvimento emocional com terceiros. “A dor não é só da traição. É da sensação de ter sido deixado de lado enquanto ainda estava ali”, afirma Dariel.
O impacto emocional da traição nos casamentos
A traição, especialmente a emocional, provoca efeitos profundos na saúde emocional do casal. Sentimentos de inadequação, perda de identidade, insegurança e dificuldade de confiar novamente são comuns após a descoberta. Em muitos casos, mesmo quando há tentativa de reconciliação, o trauma permanece ativo.
Dariel observa que o impacto não atinge apenas quem foi traído. “Quem trai emocionalmente também se desorganiza. Vive dividido, confuso, tentando sustentar dois mundos ao mesmo tempo”, explica. Essa fragmentação emocional contribui para o colapso do relacionamento.
O rompimento, nesses casos, costuma ser acompanhado de sofrimento intenso e sensação de fracasso, principalmente quando o casamento termina sem que os envolvidos compreendam claramente o que aconteceu.
Ainda é possível evitar o rompimento?
Apesar dos números elevados, Dariel afirma que muitos casamentos poderiam ter outro desfecho se o desgaste fosse identificado a tempo. “Quando o casal busca ajuda antes da ruptura completa, há espaço para reorganização”, afirma. O problema é que a maioria procura apoio apenas quando a relação já está emocionalmente esgotada.
Ele destaca que reconhecer sinais precoces, como afastamento, irritação constante e busca excessiva por validação fora do casamento, é fundamental para evitar o rompimento. “Ignorar esses sinais é permitir que o relacionamento se desgaste até não sobrar energia para reconstruir”, alerta.
O recorde de mais de 40 mil divórcios e a taxa de 47,4 separações para cada 100 casamentos expõem uma realidade que vai além dos números. A infidelidade emocional e a dinâmica da era digital estão transformando profundamente os relacionamentos, encurtando vínculos e fragilizando a confiança.
O alerta de Roberson Dariel aponta para a necessidade urgente de repensar a forma como os casamentos são vividos hoje. Entender que a traição nem sempre é física, reconhecer o impacto da ausência emocional e buscar apoio antes do rompimento são passos essenciais para frear essa escalada de separações.

