Março Azul: Campanha deste ano alerta que prevenção do câncer de intestino deve começar aos 45 anos
Com o tema “A Jornada da Vida”, mobilização nacional destaca que a doença tem até 90% de chance de cura se descoberta cedo
Terceiro tumor que mais mata no Brasil, o câncer de intestino atinge mais de 45 mil pessoas por ano no país, segundo dados oficiais da campanha Março Azul. Apesar da alta incidência, trata-se de uma doença silenciosa, mas que pode ser prevenida. Para reverter o atual cenário, as sociedades médicas brasileiras lançam a edição 2026 do Março Azul com o tema “A Jornada da Vida”, trazendo uma diretriz para o rastreamento, que deve começar a partir dos 45 anos para a população em geral.
De acordo com as estimativas do Inca para o triênio 2026-2028, o câncer de intestino responde por cerca de 10,4% de todos os novos casos, mantendo-se entre os cinco mais frequentes. Nos últimos anos, a recomendação para o início dos exames preventivos, como a colonoscopia, sofreu oscilações no Brasil, alternando a indicação entre 45 e 50 anos.
Agora, a campanha encabeçada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) indica a prevenção a partir dos 45 anos, refletindo uma preocupação global com o aumento de casos em adultos mais jovens. De acordo com Hélio Antônio Silva, presidente da Sociedade Mineira de Coloproctologia e médico coloproctologista do Hospital Orizonti, essa padronização é um marco fundamental para salvar vidas.
“Historicamente, vivíamos um dilema no Brasil sobre o marco inicial para a prevenção. No entanto, o aumento expressivo de diagnósticos em pacientes mais jovens nos mostrou que não podemos esperar até os 50 anos. A campanha deste ano consolida os 45 anos como a idade como início da prevenção. Quando realizamos a colonoscopia de forma preventiva, não estamos apenas buscando o tumor em fase inicial, mas atuando antes que ele exista, removendo pólipos que se tornariam malignos com o tempo”, alerta o médico.
Para que o rastreamento seja efetivo, no entanto, é preciso superar a barreira do preconceito. A médica gastroenterologista do Hospital Orizonti, Camila Coradi, pontua que a desinformação afasta os pacientes do consultório. “A colonoscopia ainda gera muita apreensão, mas é um exame extremamente seguro e indolor, realizado sob sedação. O paciente dorme e acorda quando tudo já terminou. É um procedimento rápido que atua tanto no diagnóstico quanto no tratamento, já que permite a retirada de lesões precursoras na mesma hora”, esclarece a especialista.
Diagnóstico precoce e atenção aos sintomas
A campanha de 2026 reforça que, com o diagnóstico precoce, o câncer de intestino tem até 90% de chance de cura. Contudo, por ser uma doença que demora a apresentar sinais, a atitude proativa do paciente é o principal diferencial, atrelada a mudanças no estilo de vida.
“A saúde do intestino e a prevenção da doença também passam diretamente pelos nossos hábitos diários. O sedentarismo, a obesidade, o tabagismo e uma alimentação pobre em fibras e rica em alimentos ultraprocessados, embutidos e carnes vermelhas aumentam significativamente os riscos. Por isso, a mudança de estilo de vida deve caminhar lado a lado com os exames de rastreio”, alerta a médica.
Quando a prevenção primária falha ou é ignorada, a doença pode se manifestar de forma mais grave. “Muitos pacientes chegam ao consultório quando já apresentam os sinais de alerta, como sangramento nas fezes, alteração no ritmo intestinal que dura mais de 30 dias, dor abdominal ou emagrecimento sem causa aparente. O nosso objetivo com o rastreamento aos 45 anos é agir exatamente na fase assintomática. Além disso, é importante lembrar que quem possui histórico familiar da doença deve procurar o médico ainda mais cedo, pois o risco é maior”, complementa o coloproctologista.
Sobre o Hospital Orizonti
O Hospital Orizonti, faz parte do Grupo Orizonti, fundado pelos médicos Amândio Soares Fernandes Júnior e Roberto Porto Fonseca – tendo como sócios os doutores Ernane Bronzatti e Marcelo Guimarães, conta com mais de 250 leitos, centro cirúrgico completo, além de centro de medicina nuclear e de diagnóstico por imagem, centro de transplante de medula óssea (TMO) e radioterapia. São mais de 55 especialidades disponíveis, entre elas neurologia, oncologia, ortopedia e cardiologia. O edifício bioclimático possui jardins internos e um dos maiores telhados verdes da América Latina – mais de 7 mil metros quadrados. Cercado pelas montanhas da Serra do Curral, integrado ao meio ambiente, tem vista panorâmica para Belo Horizonte (MG).
Foto: Gabrielle Cordeiro/Grupo Orizonti

