A trajetória que saiu do SUS e começa a avançar nos Estados Unidos

A trajetória que saiu do SUS e começa a avançar nos Estados Unidos

Enfermeira formada na UFMG consolida carreira construída no sistema público brasileiro e amplia inserção no exterior

A trajetória da enfermeira Greice Kelly Socorro de Oliveira Porto reúne um conjunto de experiências que, na prática, costumam aparecer de forma multidisciplinar na área da saúde: atuação direta na assistência, passagem por ambientes de alta complexidade e, posteriormente, ocupação de funções de gestão no serviço público.

Formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, Greice construiu sua carreira dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), onde permaneceu por mais de duas décadas. Ao longo desse período, transitou entre a atenção básica e a rede hospitalar, com participação tanto na linha de frente do atendimento quanto na organização dos serviços.

Na atenção primária, atuou em unidades de saúde da família, com atribuições que incluíam desde o acompanhamento de pacientes até a organização do funcionamento das equipes e o monitoramento de indicadores. Esse tipo de atuação, comum no modelo brasileiro, exige presença territorial e interlocução constante com a comunidade — um ponto que, nos últimos anos, tem sido observado com mais atenção em sistemas de saúde internacionais.

Ambulatórios

A experiência hospitalar veio em paralelo. Por mais de dez anos, integrou equipes de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em um hospital de referência em doenças infectocontagiosas em Minas Gerais. Nesse período, esteve envolvida no atendimento a pacientes críticos e na organização de rotinas assistenciais, além de ter participado do enfrentamento da pandemia de Influenza H1N1, quando a unidade concentrou casos da doença.

Com o acúmulo de experiência na assistência, Greice passou a ocupar funções de gestão.

Entre 2013 e 2016, assumiu a direção do Distrito Sanitário Petrolândia, em Contagem (cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte), onde ficou responsável pela coordenação de uma rede com mais de 20 unidades e setores de atendimento. A função envolvia desde o gerenciamento de equipes até o acompanhamento de metas pactuadas com o Ministério da Saúde, além da articulação com diferentes áreas da administração municipal.

Na prática, a posição exigia decisões operacionais em tempo real, sobretudo em situações relacionadas à organização da rede, campanhas de vacinação e enfrentamento de doenças de impacto coletivo, como dengue e outras arboviroses. Também incluía a interlocução com conselhos de saúde e a participação em instâncias de controle social.
Nos últimos anos, parte dessa trajetória começou a ser projetada para fora do país. Greice passou a realizar cursos e certificações nos Estados Unidos.

Além da formação complementar, a enfermeira passou a integrar entidades profissionais no exterior, como a American Nurses Association, movimento que costuma marcar o início de processos de inserção mais estruturada no sistema de saúde americano.

A combinação entre experiência acumulada no SUS — especialmente em gestão e assistência em contextos críticos — e a aproximação com o ambiente internacional indica um movimento cada vez mais recorrente entre profissionais da área da saúde: a transição de trajetórias consolidadas no serviço público brasileiro para atuação em sistemas estrangeiros, onde a experiência prática em larga escala tende a ser um diferencial.