Comércio mantém expectativas positivas, apesar da percepção de piora na economia

Comércio mantém expectativas positivas, apesar da percepção de piora na economia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Wagner Liberato

O empresário do comércio de Belo Horizonte ainda enxerga um cenário difícil no presente, mas mantém uma perspectiva mais positiva para os próximos meses. É o que mostra o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) de agosto, elaborado pela CNC e analisada pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG. O contraste aparece nos três indicadores que compõem o índice: enquanto o Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio (Icaec) ficou em 71,7 pontos, abaixo da linha de 100 pontos que separa pessimismo de otimismo, o Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (Ieec) alcançou 118,9 pontos e o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (Iiec) chegou a 100,5 pontos.

Na avaliação das condições atuais, houve uma melhora de 1,7 ponto em relação a julho, quando o Icaec que avalia o índice de condições atuais do empresário do comércio registrou 69 pontos. Ainda assim, a percepção dos empresários permanece predominantemente negativa. Para 77,1% deles, a situação atual da economia brasileira piorou. Em relação ao próprio negócio, 52,6% também afirmaram perceber uma piora nas condições da empresa, embora esse percentual tenha recuado 2,4 pontos percentuais na comparação com julho.

Para a economista e supervisora de Estudos Econômicos da Fecomércio MG, Gabriela Martins, os números mostram que o empresário está fazendo uma leitura mais cautelosa do momento atual, mas não abandonou a perspectiva de recuperação. “O dado mais interessante do mês está justamente nesse contraste. O empresário ainda percebe dificuldades no ambiente econômico e no desempenho atual do comércio, mas suas expectativas para os próximos meses permanecem positivas. Isso mostra que o cenário presente ainda impõe cautela, mas não eliminou a disposição de olhar para frente e se preparar para uma possível melhora da atividade”, avalia.

O otimismo aparece com mais força quando os empresários projetam o futuro. O Ieec que avalia o índice de expectativa do empresário do comércio fechou agosto em 118,9 pontos, apesar de uma queda de 2,2 pontos em relação a julho. Mesmo com essa retração, o indicador permanece acima de 100 pontos, sinalizando uma percepção favorável para os próximos meses. Entre os empresários, 52,3% acreditam que a situação econômica brasileira vai melhorar, percentual 1,3 ponto percentual maior que o registrado no mês anterior.

Quando a avaliação é direcionada ao próprio setor, 64% esperam uma evolução positiva do comércio. Já em relação às próprias empresas, 76% acreditam que suas vendas irão melhorar, embora esse percentual tenha recuado 2,3 pontos percentuais em relação a julho. “A expectativa positiva para as vendas é um sinal importante para o comércio. Mesmo com uma redução marginal em relação ao mês anterior, três em cada quatro empresários ainda projetam melhora para suas empresas. Isso ajuda a explicar por que a intenção de investir e contratar continua presente, mesmo em um ambiente que ainda exige cautela”, destaca Gabriela.

O comportamento do Iiec que avalia o índice de investimento do empresário do comércio reforça essa leitura. O indicador chegou a 100,5 pontos em agosto, ante 100,3 em julho, permanecendo praticamente sobre a linha que separa pessimismo de otimismo. Um dos sinais mais relevantes está no mercado de trabalho: 63,3% dos empresários pretendem aumentar o quadro de funcionários. Entre as empresas com mais de 50 empregados, esse percentual chega a 68,8%.

Também houve avanço na percepção sobre o nível de investimentos. Para 45,5% das empresas, os investimentos estão maiores, ante 44,3% em julho. Entre os negócios de maior porte, a percepção de aumento é ainda mais expressiva, alcançando 57,2%.

Na avaliação de Gabriela Martins, os dados indicam que o empresário está combinando cautela com preparação. “O Iiec próximo de 100 pontos mostra um empresário que não está ampliando investimentos de forma acelerada, mas também não está paralisado. A intenção de contratação é um dos pontos que mais chamam a atenção no resultado de agosto e sinaliza que parte dos empresários já se movimenta para atender uma expectativa de melhora da atividade”, explica.

Os resultados também mostram que o comércio chega ao segundo semestre com uma percepção ainda negativa sobre o presente, mas com expectativas que podem favorecer decisões de contratação, investimentos e planejamento empresarial. Para a economista, esse movimento merece atenção porque a confiança funciona como um importante sinal antecedente da atividade comercial. “A confiança não significa que a recuperação já aconteceu. Ela indica a disposição do empresário para tomar decisões diante do que espera para o futuro. Por isso, acompanhar essa diferença entre a percepção atual e as expectativas ajuda a entender para onde o comércio pode caminhar nos próximos meses”, conclui Gabriela.

O ICEC é uma pesquisa realizada pela CNC e analisada pela Fecomércio MG. O levantamento de agosto de 2026 foi realizado nos últimos dez dias de julho. A escala dos indicadores varia de 0 a 200 pontos, sendo 100 o limite entre uma percepção pessimista e otimista.


Sobre a Fecomércio MG

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.

Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para as empresas e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.