No sábado de Carnaval (14/02), o Bloco Maria Baderna vai celebrar o seu 13º aniversário em Contagem. Com concentração às 13h, na Praça Tiradentes, o cortejo terá início às 14h e seguirá até a Praça da Jabuticaba. O encerramento está previsto para acontecer às 20h. Fundado em 2013, o coletivo se consolidou como uma das principais expressões do Carnaval de Rua, reafirmando a ocupação do espaço público como direito cultural e mantendo viva uma tradição que, historicamente, não encontrava lugar nos dias oficiais da folia na cidade metropolitana.
Criado por Camila Polatscheck e Hugo Honorato, ao lado de artistas, mobilizadores e agitadores culturais, durante uma ocupação urbana com arte, o Maria Baderna nasceu do desejo de fazer Carnaval em uma cidade que concentra suas atividades no pré-carnaval e esvazia as ruas durante os dias oficiais. “Desde o início da formação do bloco a meta foi e sempre será fazer carnaval em Contagem”, afirma Camila. “Somos o único bloco que faz o cortejo no dia oficial do carnaval, no sábado à tarde.” Ao longo de mais de uma década, essa escolha transformou o desfile em um marco simbólico para a cultura popular local do município.
O nome do bloco faz referência à bailarina italiana Marietta Maria Baderna, figura do século XIX que se tornou símbolo de ruptura estética ao misturar o balé clássico às danças populares afro-brasileiras, como o lundu. A reação da elite conservadora da época foi tão intensa que seu sobrenome passou a ser utilizado de forma pejorativa, dando origem à palavra “baderna”. “Todo mundo que acaba conhecendo a história da Maria Baderna fica apaixonado com o bloco quase que imediatamente”, conta Camila. “Ela foi tirada de cartaz por ousar misturar linguagens, e a palavra baderna veio exatamente dessa história”, completa Camila.
Ao longo de sua trajetória, o Maria Baderna se consolidou como um bloco de caráter político, atento às pautas contemporâneas e às disputas simbólicas presentes no espaço urbano. “A gente sempre dá voz às pautas atuais, além das que já temos desde sempre”, explica Camila, ressaltando que essas questões se manifestam diretamente no cortejo, em diálogo com o público e com a cidade.
O bloco reúne cerca de 100 participantes, entre bateria, banda, regência, estandartes, bonecos e alegorias. Em 2025, foram aproximadamente 50 pessoas apenas na bateria. O desfile mantém um caráter de chão, de asfalto e de contato direto com os foliões. “Acho que o diferencial do bloco são as variedades das alegorias, com estandartes, máscaras, fantasias e bonecos, que costumam aproximar e animar ainda mais o público do cortejo carnavalesco”, afirma a fundadora, destacando o próprio boneco da Maria Baderna, além de um estandarte construído por Randolpho Lamonier e um bandeirão coletivo que cobre toda a bateria.
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A musicalidade é outro traço marcante do Maria Baderna. O repertório mistura rock, samba, reggae e marchinhas, refletindo a própria referência histórica que inspira o bloco. “Nosso repertório é muito diverso. Misturamos estilos e ritmos”, explica Camila. “Trazemos o conceito da própria Maria Baderna, que misturou o balé clássico com as danças populares”, conta ela.
Para Camila, ver o bloco chegar aos 13 anos de existência é motivo de bastante orgulho e reafirmação do projeto coletivo. “Me sinto muito orgulhosa e satisfeita por ter tanta história pra contar, fotos e vídeos pra relembrar e proporcionar encontros com tanta gente com um carinho especial pelo bloco”, afirma. Segundo ela, o desfile deste ano simboliza “a continuidade, a resistência, a novidade nos aprendizados percussivos, o crescimento da organização e a construção de planejamento para esse e os próximos anos”.
Mesmo diante dos desafios de produzir um carnaval independente — que envolve logística, burocracia, estrutura urbana e captação de recursos — o Maria Baderna segue ocupando as ruas de Contagem. “Fazer carnaval não é mole não. É no mínimo super difícil”, resume Camila, ao falar da complexidade de organizar um evento com mais de cem pessoas envolvidas e sem o capital de grandes patrocinadores. Ainda assim, o bloco mantém atividades ao longo de todo o ano, com aulas de percussão, encontros em praças públicas e eventos gratuitos, como o Arraial da Baderna, que chega à sua quarta edição em 2026.
Bloco Maria Baderna – Ensaios
Quartas – 19h – Praça da Jabuticaba
Sábados – 14h – Praça da Jabuticaba
Maria Baderna: Desfile em Contagem
Data: 14 de fevereiro
Horário: concentração às 13h | cortejo a partir das 14h
Local: Praça Tiradentes
Percurso: Praça Tiradentes até Praça da Jabuticaba
Encerramento: 20h