Olimpíadas Especiais Brasil conecta mais de 2.000 mulheres com deficiência intelectual ao esporte
No Dia Internacional das Mulheres, atletas compartilham os desafios e motivações para manter a vivência esportiva
O acesso de mulheres ao esporte, sobretudo daquelas com deficiência intelectual, sempre foi desafiador, mas as Olimpíadas Especiais Brasil (OEB) buscam ressignificar o espaço delas na prática esportiva.
Em 2025, mais de 2 mil atletas participaram das atividades esportivas proporcionadas pela OEB. “Eu pratico esporte para mostrar para as pessoas que nós somos capazes. O esporte mudou minha vida, no meu crescimento. Quando pequena, eu era muito rebelde e o esporte foi muito importante para minha saúde física e mental”, comenta Denise Oliveira, presidente do Conselho de Atletas Líderes das Olimpíadas Especiais Brasil, programa voltado para autonomia e liderança de pessoas com deficiência intelectual.
Entretanto, “um dos maiores desafios que as mulheres precisam superar na prática esportiva, não somente as com deficiência intelectual, é o assédio, que pode acontecer a qualquer momento”, afirma Kaylany Gimenes, que também é Atleta Líder da OEB e formada em Educação Física. A partir disso, a OEB criou a Política de Proteção ao Atleta (PPA), visando assegurar que todos os envolvidos – atletas, treinadores, familiares e voluntários – estejam preparados para identificar riscos e agir para garantir a segurança e o bem-estar de cada participante dos eventos realizados. “Eu ainda sofro preconceito na sociedade, por isso, eu luto pela causa das mulheres e das pessoas com deficiência intelectual para quebrar essa barreira”, complementa Denise.
Com relação ao programa Atletas Líderes, Kaylany afirma que “é um prazer enorme e de grande satisfação representar outras mulheres no programa Atletas Líderes, porque sinto que afeta a vida de outras mulheres com deficiência intelectual tão significamente”. Já Denise reforça: “é muito importante, nós, mulheres com ou sem deficiência, mostrarmos ao mundo inteiro que podemos fazer o que quisermos, não somente no esporte”.
Mulheres são maioria na direção
Mais do que as atletas, a OEB é majoritariamente construída por mulheres que representam 75% de seu corpo diretivo. “Mudou completamente minha vida depois que comecei a participar das ações das Olimpíadas Especiais Brasil, há quase 30 anos. É uma alegria poder ver as atletas participando das ações e sentindo-se realizadas e reconhecidas por aquilo que elas fazem. E, por ser uma mulher em uma posição de destaque, é um reconhecimento tanto da Special Olympics International quanto da OEB, mostrando a força que as mulheres têm ao levar um movimento à frente com tanta dedicação”, comenta Teresa Leitão, diretora nacional de esportes.
Karolyne Peres, coordenadora do programa de Saúde da OEB, focado nas especificidades do bem-estar físico e mental dos atletas, complementa: “Como mulher, tenho muito orgulho de fazer parte das Olimpíadas Especiais Brasil e de poder coordenar um programa com tamanho impacto como o Programa de Saúde, pois sabemos que a área da saúde para pessoas com deficiência também ainda tem um longo caminho de evolução. Olhando para a minha vida pessoal, desde o ano passado tenho passado por um tratamento de câncer de mama, e estar em um programa voltado à saúde não poderia me trazer mais felicidade e conforto, ao lado dos atletas, suas famílias, voluntários e profissionais incríveis, como os Diretores Clínicos e voluntários do Programa”.
SOBRE OLIMPÍADAS ESPECIAIS BRASIL
Projeto global sem fins lucrativos, a Special Olympics é um movimento mundial centrado no desporto, fundado em 1968 por Eunice Kennedy Shriver – irmã do 35° presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy. Trata-se de uma organização internacional criada para apoiar pessoas com deficiência intelectual a desenvolverem a sua autoconfiança, capacidades de relacionamento interpessoal e sentido de realização por meio do esporte.
Acreditada pela Special Olympics International, as Olimpíadas Especiais Brasil atuam nas seguintes modalidades esportivas: atletismo, águas abertas, basquete, bocha, ciclismo, futebol, natação, handebol, ginástica rítmica, tênis, tênis de mesa, vôlei de praia e judô; além dos Programas: Atleta Líder, Escolas Unificadas, Atletas Saudáveis, Atletas Jovens, MATP (Programa de Treinamento em Atividade Motora) e Famílias. Tendo o país quase 6 milhões de pessoas com deficiência intelectual, as Olimpíadas Especiais Brasil possuem 44 mil atletas treinando.
Filosofia
A Special Olympics tem como filosofia dar oportunidade a todos os atletas, independente do nível de habilidade, promovendo diversas competições, nas mais diferentes regiões do mundo, durante todo o ano. O programa é conduzido por voluntários e, por meio de treinamentos esportivos e competições de qualidade, melhora a vida das pessoas com deficiência intelectual e, consequentemente, a vida de todas as pessoas que as cercam.
Embaixadores
A Special Olympics conta, em nível local e global, com uma série de embaixadores que vestem a camisa do movimento e ajudam a levar adiante a causa. No Brasil, as OEB dispõem de nomes como os jogadores de futebol Cafu, Ricardinho, Romário, Zico, Lucas Moura e Willian Bigode e a jogadora de vôlei Jackie Silva. No mundo, além de nomes importantes do esporte, com destaque para Michael Phelps, há artistas como Avril Lavigne, Brooklyn Decker Roddick, Charles Melton, Eddie Barbanell, Maureen McCormick, Chris Pratt e Katherine Schwarzenegger.
Site: https://specialolympics.org.br/
Instagram: https://www.instagram.com/olimpiadasespeciaisbrasil/
Foto: enviada sem crédito

