Mãe adolescente busca reaver sua filhinha

Mãe adolescente busca reaver sua filhinha

Emanuele vivia uma situação muito difícil, sem apoio e sem ter para onde ir, além de estar grávida. Diante disso, ela buscou ajuda e foi orientada por conselheiras e assistentes sociais a ir para um abrigo chamado Colmeia, destinado a mães adolescentes, gestantes e menores de idade com filhos.

Foi apresentado a ela que esse abrigo seria uma forma de apoio e acolhimento, onde ela poderia permanecer até completar 18 anos. Disseram que ali ela teria suporte para continuar os estudos, se estruturar e, quando atingisse a maioridade e conseguisse um emprego fixo, teria condições de alugar uma casa e sustentar sua filha com dignidade. Confiando nessas orientações, Emanuele decidiu ir para o abrigo ainda grávida.

Após o nascimento de sua filha, Ísis, Emanuele relata que começou a sofrer pressões psicológicas dentro do abrigo. Segundo ela, diziam constantemente que ela não tinha família, nem estrutura para cuidar da criança, tentando influenciar suas decisões. Ainda assim, ela sempre deixou claro que nunca abriria mão da filha. Inclusive, voltou a estudar com medo de perder a guarda da criança.

Em nenhum momento, segundo Emanuele, foi informado que poderia haver uma separação entre ela e a filha.

Quando Emanuele tinha 16 anos e Ísis havia acabado de completar 1 ano, foi informada de que um juiz teria determinado sua transferência para outro abrigo, alegando que ela não poderia mais permanecer com a filha. Ela afirma que foi pressionada e ameaçada: disseram que, caso não aceitasse a mudança de forma voluntária, seria retirada à força, com apoio policial, e poderia perder definitivamente a guarda da filha.

Também foi dito a ela que, ao ir para o outro abrigo, continuaria tendo contato com a criança e que futuramente poderia buscar uma conciliação na Justiça para retornar ao Colmeia e retomar a convivência com a filha.

Diante dessas informações, e sem pleno entendimento da situação, Emanuele assinou documentos sem ler, já que tinha apenas 15 anos na época e não compreendia o que estava sendo formalizado.

Após a transferência para o outro abrigo, a realidade foi completamente diferente do que havia sido prometido. Emanuele passou a ser impedida de ter qualquer contato com a filha, assim como seus familiares. Ao buscar ajuda, uma tia se dispôs a apoiá-la na tentativa de recuperar a guarda de ambas.

Pouco tempo depois cerca de uma semana após a transferência uma funcionária do abrigo informou que a bebê já estaria com um casal. Essa mesma funcionária foi posteriormente demitida.

Além disso, outras adolescentes que estavam no abrigo relataram que, na mesma semana, um casal começou a visitar Ísis e, pouco tempo depois, levou a criança, sem que qualquer informação fosse repassada à Emanuele ou à sua família.

Enquanto isso, a família de Emanuele tentava judicialmente obter a guarda da criança, para evitar a perda definitiva. Emanuele permaneceu no abrigo inicialmente justamente para não prejudicar esse processo.

Com o passar do tempo, sem solução e se sentindo presa, sem conseguir resolver sua situação ou lutar pelos seus direitos, Emanuele decidiu sair do abrigo e ir para a casa da tia, buscando apoio para continuar a luta na Justiça.

No entanto, todos os pedidos feitos por Emanuele e sua família foram negados pelo juiz. Durante todo esse período, que já dura cerca de um ano, não foi permitido qualquer contato entre ela, a filha e os familiares.

Após mais de três tentativas judiciais negadas, a família vive hoje um momento de desespero, com medo de que seja perdido definitivamente o direito à guarda da criança, já que acreditam estar diante da última possibilidade de recurso.

 

Por Amanda Guedes / Foto: arquivo pessoal