Fecomércio MG aponta: Dia das Crianças movimenta 78,2% do comércio

Fecomércio MG aponta: Dia das Crianças movimenta 78,2% do comércio

Por Wagner Liberato

Comércio aposta em atendimento, propaganda e promoções para atrair consumidores, enquanto maioria dos lojistas espera concentração das compras na semana da data

 

O Dia das Crianças segue como uma das principais datas do calendário comercial para o comércio. De acordo com estudo realizado pela Área de Pesquisa e Inteligência da Fecomércio MG, o período impacta 78,2% das empresas do comércio varejista no Estado. Para 29,1% dos empresários, as vendas neste ano devem superar as registradas em 2025, enquanto 26,5% esperam estabilidade e 21,8% projetam retração.

A leitura do cenário revela um comércio que reconhece o potencial da data, mas administra as decisões com atenção ao comportamento das famílias. Entre os empresários que esperam vendas melhores, o principal argumento é o próprio otimismo em relação ao período, citado por 56,3% deles. O valor afetivo da data aparece em seguida, com 34,5%, enquanto 16% mencionam o aquecimento do comércio. Entre os que projetam desempenho inferior ao do ano passado, predominam a percepção de retração do comércio, apontada por 48,9%, o endividamento do consumidor, com 25,6%, e a crise econômica, citada por 23,3%. “Os resultados mostram um varejo atento a uma data que combina apelo emocional e potencial comercial, mas que também exige cuidado na tomada de decisão. O empresário percebe a oportunidade, porém considera o ambiente de consumo e a capacidade de compra das famílias antes de ampliar estoques ou intensificar investimentos”, avalia Gabriela Martins, economista da Fecomércio MG.

Nesse cenário, o diferencial não está apenas no produto, mas na experiência oferecida ao consumidor. Entre as empresas que pretendem adotar ações para estimular as vendas, 20,2% apostam em atendimento diferenciado, 17,1% em propaganda e 15,8% em promoções e liquidações. O marketing digital aparece em 11,5% das estratégias mencionadas.

O planejamento dos estoques também indica uma preparação relativamente antecipada para a data. Quase dois terços dos estabelecimentos, 64,6%, já receberam todas as encomendas. Outros 28,6% ainda aguardavam remessas, enquanto 6,5% não haviam realizado os pedidos. Entre essas empresas, a principal justificativa foi a baixa expectativa de demanda, mencionada por 45,5%.

Para Gabriela, o comportamento dos lojistas revela uma estratégia de equilíbrio entre oportunidade e prudência. “Em um período marcado por forte apelo emocional, o consumidor tende a valorizar a escolha do presente, mas o lojista precisa transformar essa intenção de compra em conversão. Atendimento, variedade, comunicação e condições de pagamento passam a ter um peso importante na decisão”, observa.

Na composição do mix, os brinquedos aparecem como a categoria com maior expectativa de saída, citada por 23,1% dos empresários. Na sequência estão roupas, com 17,2%, balas e doces, com 10,7%, e calçados, com 8%. A diversidade de categorias reforça que a data ultrapassa o universo tradicional dos brinquedos e alcança diferentes segmentos do varejo.

Outro movimento que merece atenção é a presença do digital. Entre as empresas impactadas pela data, 33,5% realizam vendas on-line. Nesse grupo, o WhatsApp é o principal canal, utilizado por 81,5% dos estabelecimentos, seguido pelas redes sociais, com 25%. Para uma parcela das lojas, as vendas digitais já representam uma fatia relevante do faturamento, concentrada principalmente nas faixas de 15,01% a 20% e de 10,01% a 15% das receitas. “Mais do que uma extensão da loja física, o ambiente digital aparece como parte da jornada de compra. O destaque do WhatsApp mostra que conveniência e contato direto continuam sendo importantes para o consumidor. Para o varejo, isso significa estar disponível no canal em que a decisão de compra efetivamente acontece”, afirma Gabriela.

A pesquisa também aponta uma característica tradicional do comportamento do consumidor nessa data: a concentração das compras perto do evento. Para 85,1% dos empresários, as compras devem ocorrer principalmente na semana do Dia das Crianças. Apenas 12,4% esperam que os clientes se antecipem. O Pix aparece como principal meio de pagamento esperado pelos lojistas, com 28%, seguido pelo cartão de crédito parcelado, com 27%, e pelo cartão de crédito à vista, com 23,9%.

Em relação ao valor das compras, as faixas de tíquete médio mais citadas são de R$ 70 a R$ 100 e de R$ 100 a R$ 200, ambas com 23,6% das respostas. “A concentração das compras na semana da data reforça a importância de o comércio estar preparado para responder rapidamente ao aumento da demanda. O consumidor pode deixar a decisão para os últimos dias, mas espera encontrar disponibilidade, facilidade de pagamento e uma experiência de compra simples”, acrescenta Gabriela.

Sobre a Fecomércio MG

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 800 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.

Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para as empresas e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.