O setor de serviços em Minas Gerais abriu 2026 com perda de fôlego
Em janeiro, o volume de atividade recuou -0,4% na comparação com dezembro, marcando a segunda retração mensal consecutiva no estado. No Brasil, o movimento foi oposto: alta de 0,3%, sinalizando continuidade do dinamismo nacional na virada do ano.
A análise do Núcleo Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa, com base na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, revela resultados opostos entre Minas e o restante do país. Na comparação anual, o contraste se amplia: enquanto o Brasil avançou 3,3% frente a janeiro de 2025, Minas registrou queda de -1,5%. “O resultado mostra que Minas inicia o ano com um ritmo mais moderado, refletindo tanto fatores conjunturais quanto a própria estrutura econômica do estado, mais dependente de segmentos que também apresentaram oscilações recentes, como o comércio e a indústria”, afirma a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves.
No acumulado de 12 meses, o cenário reforça essa diferença. Minas Gerais apresentou leve retração de -0,1%, enquanto o Brasil cresceu 3,0%. A distância de 3,1 pontos percentuais mostra uma recuperação mais consistente no plano nacional. Os segmentos com maior peso na economia do estado puxaram o resultado para baixo. Transportes recuaram -1,5%, serviços profissionais caíram -1,7% e serviços prestados às famílias retraíram -0,7% no acumulado em 12 meses. “O enfraquecimento dos principais segmentos indica uma perda de tração mais estrutural no estado. Mesmo com avanços pontuais, eles ainda não são suficientes para compensar as quedas nas atividades de maior peso”, avalia Fernanda Gonçalves.
Entre os destaques positivos em Minas, estão os chamados “outros serviços”, com alta de 2,9%, e informação e comunicação, que avançou 2,8%. Ainda assim, o crescimento é insuficiente para reverter o quadro geral. No Brasil, o desempenho mais robusto do setor é sustentado justamente por áreas como informação e comunicação, serviços profissionais e transportes, segmentos que, em Minas, seguem em retração.
Para a economista, a taxa básica de juros elevadas em 15% ao ano, comprometem o poder de investimento dos empresários, dificultando a obtenção de melhores resultados. “Nesse contexto, torna-se necessária a recomposição dos segmentos de maior peso na estrutura produtiva do estado, especialmente transportes, serviços profissionais e serviços prestados às famílias, que seguem em retração. Além disso, uma recuperação mais consistente do setor depende também de um ambiente econômico mais favorável ao comércio e à indústria, atividades fortemente interligadas ao desempenho dos serviços em Minas Gerais,” destaca.
O início de 2026, portanto, aponta para um cenário de cautela no estado. A retomada do setor de serviços dependerá da recuperação mais ampla da atividade econômica e da recomposição dos segmentos estratégicos que sustentam a estrutura produtiva mineira como serviços de informação, comunicação Transportes.
Sobre a Fecomércio MG
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.
Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para o setor e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.

