Teste do pezinho: exame ampliado pelo SUS Contagem ajuda a salvar vidas

Teste do pezinho: exame ampliado pelo SUS Contagem ajuda a salvar vidas

Considerado um direito de todo recém-nascido e assegurado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o teste do pezinho é uma triagem neonatal obrigatória e essencial para a identificação precoce de diversas doenças. O exame deve ser realizado, preferencialmente, entre o 3º e o 5º dia de vida, por meio da coleta de gotas de sangue do calcanhar do bebê.

O exame possibilita detectar condições genéticas, metabólicas, imunológicas e infecciosas que, na maioria das vezes, não apresentam sintomas nos primeiros dias de vida. Entre elas estão o hipotireoidismo congênito, a fenilcetonúria, a anemia falciforme, a fibrose cística, a hiperplasia adrenal congênita e a deficiência de biotinidase. A identificação precoce permite iniciar o tratamento rapidamente, evitando complicações graves, sequelas irreversíveis e até mesmo a morte.

Ofertado gratuitamente pelo SUS, o teste do pezinho é fundamental para garantir o cuidado integral à saúde infantil, contribuindo para o desenvolvimento saudável e a qualidade de vida das crianças. Em Contagem, o exame está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e no Centro Materno Infantil (CMI). Os bebês nascidos no CMI já garantem o agendamento do exame durante a alta responsável. Já os demais recém-nascidos podem procurar a UBS de referência, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, para realizar o procedimento.

“Garantir o acesso gratuito e qualificado a esse exame é investir na prevenção, no diagnóstico precoce e na oportunidade de tratamento adequado para centenas de famílias. Quando identificamos uma doença logo no início, aumentamos significativamente as chances de desenvolvimento saudável da criança e evitamos complicações graves no futuro. Nesse sentido, o fortalecimento do teste do pezinho representa um compromisso da gestão municipal com a saúde da criança desde os primeiros dias de vida.”

Secretária Municipal de Saúde, Taciana Malheiros.

Teste ampliado

De acordo com a referência técnica do Núcleo Saúde das Mulheres, Crianças e Adolescentes da Secretaria de Saúde, Carolina Hespanha, atualmente, o teste do pezinho oferecido pelo SUS em todos os municípios de Minas Gerais rastreia 64 doenças.

Minas Gerais foi o primeiro estado do país a ofertar o exame ampliado em parceria com o Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da Faculdade de Medicina da UFMG (Nupad/UFMG). “A ampliação representa um avanço importante no acesso ao diagnóstico precoce, pois melhora o acesso da população ao exame. Muitas famílias precisavam recorrer à rede privada para realizar o teste ampliado”, destaca Hespanha.

Além de ampliar o número de doenças rastreadas, a especialista afirma que a iniciativa também aproximou famílias da rede privada das políticas públicas voltadas à primeira infância. “Atender esse público também é importante porque cria uma oportunidade de vincular essas famílias às políticas de promoção e prevenção em saúde ofertadas pelo SUS”, ressalta.

Diagnóstico e tratamento 

O município realiza todas as etapas relacionadas ao teste ampliado. Quando há diagnóstico confirmado, as crianças são encaminhadas para acompanhamento integral pelo Nupad e pelo Hospital das Clínicas da UFMG.

Segundo Carolina Hespanha, todas as doenças rastreadas exigem atenção e o tratamento precoce faz diferença significativa na qualidade de vida das crianças. Um dos exemplos é a Atrofia Muscular Espinhal (AME), doença genética hereditária causada pela mutação de um gene responsável pela produção da proteína do neurônio motor.

A AME provoca degeneração progressiva da parte motora, causando fraqueza muscular e podendo levar à morte em decorrência da paralisação do diafragma, músculo responsável pela respiração. A doença tem incidência estimada de um caso a cada 10 mil nascidos vivos. “A criança com AME pode apresentar sintomas desde o nascimento e, sem diagnóstico e tratamento adequados, pode morrer nas primeiras semanas de vida. O acompanhamento precoce melhora a qualidade de vida, ajuda a interromper processos degenerativos e deve começar entre 15 e 30 dias de vida”, explica.

A especialista reforça que existe um prazo ideal para realização do exame. Embora o teste possa ser feito em até 30 dias após o nascimento, o recomendado é que seja realizado entre o 3º e o 5º dia de vida. “Cada dia de atraso pode repercutir negativamente caso a criança tenha alguma das doenças rastreadas. Quanto mais tempo demorar, pior pode ser a evolução da doença”, alerta.

“O diagnóstico precoce pode transformar a vida da criança e da família, garantindo mais qualidade de vida, segurança, prevenção de sequelas irreversíveis e, em muitos casos, salvando vidas”, conclui Carolina Hespanha.

Autor: repórter Natália Rosa / Edição: Vanessa Trotta / Foto: divulgação