Contagem amplia vigilância epidemiológica no Centro Materno Infantil
Implantação da unidade sentinela no local fortalece o acompanhamento das síndromes gripais e contribui para a prevenção de surtos no município
Contagem passou a contar, desde janeiro de 2026, com mais uma unidade sentinela voltada ao monitoramento das síndromes gripais e da circulação de vírus respiratórios. Com o objetivo de ampliar o atendimento ao público infantil, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em conjunto com a rede estadual, implantou uma unidade do Centro Materno Infantil (CMI).
Com a iniciativa, o município passa a ter duas unidades sentinelas, sendo a primeira localizada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Ressaca. O objetivo é fortalecer a vigilância epidemiológica por meio da coleta e da análise contínua de amostras de pacientes atendidos com sintomas de síndromes gripais.
A implantação de uma unidade sentinela para Síndrome Respiratória no Centro Materno Infantil de Contagem é estratégica para a vigilância e proteção da saúde de gestantes, puérperas e crianças — públicos especialmente vulneráveis às complicações respiratórias. A estratégia está alinhada às diretrizes do Ministério da Saúde, que orienta a organização de unidades sentinelas como parte da vigilância epidemiológica das síndromes respiratórias no país.
Em Contagem, a atuação como unidade sentinela fortalece a identificação precoce de casos de Síndrome Gripal (SG) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), permitindo o monitoramento contínuo da circulação de vírus respiratórios, como Influenza e outros vírus sazonais; a coleta sistemática de dados epidemiológicos para análise de tendências; a detecção oportuna de surtos; e o subsídio para tomada de decisões rápidas pela vigilância municipal e estadual.
Para a superintendente de Vigilância Epidemiológica e Imunização de Contagem, Clarissa Castro, a importância da ação no CMl é ainda maior, pois possibilita a proteção direta de recém-nascidos e crianças pequenas, que possuem maior risco de evolução para quadros graves; monitoramento de gestantes, grupo prioritário nas campanhas de vacinação contra Influenza; e integração entre assistência e vigilância, garantindo cuidado qualificado e resposta rápida. “A unidade sentinela não é apenas um ponto de coleta de dados, mas um instrumento fundamental de prevenção, organização da rede de atenção e fortalecimento da saúde pública em Contagem”.
De acordo com a coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (NUVEH) do Complexo Hospitalar de Contagem, Luciana Nery, as coletas de amostras para pesquisa viral são realizadas diariamente em pacientes com sinais e sintomas compatíveis com o quadro da doença, com a seleção de perfis aptos à coleta por profissionais capacitados. As amostras coletadas são enviadas para o Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais, da Fundação Ezequiel Dias (FUNED), onde são analisadas para identificação dos vírus circulantes e definição de perfis epidemiológicos. Os pacientes participantes são posteriormente comunicados para acesso aos resultados.
O que é a Vigilância Sentinela?
É uma estratégia de saúde pública que monitora a circulação de vírus respiratórios, permitindo identificar precocemente novos subtipos virais, acompanhar padrões sazonais e subsidiar a definição anual da vacina contra a Influenza.
As unidades realizam a coleta semanal de amostras de pacientes com síndrome gripal, analisando somente perfis pediátricos e obstétricos. Os dados obtidos são consolidados em relatórios mensais, que permitem mapear a circulação viral e identificar os vírus predominantes em cada período, ampliando a capacidade de resposta do município frente a surtos e epidemias.
Essa vigilância integra uma rede nacional, com envio de informações ao Ministério da Saúde, que contribuem para análises internacionais e para a definição de estratégias de prevenção, incluindo a composição anual da vacina contra a Influenza.
Minas Gerais se destaca entre os estados com maior número de unidades sentinelas, desempenhando papel estratégico no monitoramento epidemiológico do país. Dados recentes do boletim epidemiológico estadual apontam que, nas últimas seis semanas epidemiológicas, foram registrados mais de 12 mil atendimentos por síndrome gripal, com a identificação de mais de 600 vírus respiratórios. Em Contagem, foram registrados cerca de 320 atendimentos.
Por que isso é importante?
A coordenadora do NUVEH destacou a importância de ter essas informações analisadas. “As informações coletadas orientam ações de prevenção e controle, auxiliam na resposta rápida a surtos e epidemias e contribuem para o monitoramento epidemiológico em nível estadual, nacional e internacional”.
A iniciativa reforça o compromisso da rede municipal de saúde com o controle de doenças respiratórias, contribuindo para a identificação precoce de vírus, o acompanhamento do comportamento sazonal das síndromes gripais e o fortalecimento das ações de prevenção e imunização da população.

