Janeiro Branco alerta: saúde mental não se resolve em promessas

Janeiro Branco alerta: saúde mental não se resolve em promessas

Campanha propõe troca de promessas por compromisso com o cuidado emocional

O início do ano costuma vir acompanhado de listas de resoluções, planos ambiciosos e da expectativa de que, com a virada do calendário, a vida emocional também entre nos trilhos. No entanto, a prática clínica aponta um dado recorrente que ajuda a explicar o alerta do Janeiro Branco, muitas dessas promessas são abandonadas ainda no primeiro mês do ano, não por falta de disciplina, mas por um entendimento equivocado sobre como funciona a saúde mental.

De acordo com o psicólogo clínico Luti Christóforo, é comum que as pessoas acreditem que o sofrimento emocional pode ser resolvido por decisão ou força de vontade. “No consultório, escuto com frequência frases como ‘achei que depois do Ano Novo a ansiedade iria diminuir’ ou ‘pensei que, se eu me esforçasse mais, esse vazio ia passar’. Isso revela uma expectativa irreal, porque emoções não obedecem decretos, elas pedem compreensão, escuta e cuidado contínuo”, explica.

O Janeiro Branco propõe justamente essa mudança de olhar. A campanha não se trata de estabelecer metas vazias, mas de um convite ao autoconhecimento real. Segundo Luti, é comum que pacientes cheguem frustrados por não conseguirem sustentar promessas feitas no Réveillon. “Quando aprofundamos a escuta, aparecem histórias de sobrecarga emocional, lutos não elaborados, relações adoecidas ou anos de negligência com a própria saúde psíquica. Nenhuma dessas questões se resolve da noite para o dia”, afirma.

Entre os exemplos mais recorrentes estão promessas como “não se estressar mais” ou “pensar positivo o tempo todo”. Na prática, isso acaba gerando ainda mais culpa quando o estresse e a tristeza inevitavelmente surgem. “É como alguém com dor crônica decidir ignorar o sintoma em vez de investigar a causa. Na saúde física, sabemos que isso não funciona. Na saúde emocional, insistir nesse caminho apenas prolonga o sofrimento”, compara o psicólogo.

Para o especialista, cuidar da mente exige a mesma seriedade que cuidar do corpo. Ansiedade, depressão, esgotamento emocional e conflitos internos não se resolvem apenas com otimismo. “Assim como ninguém espera curar uma doença física apenas com pensamento positivo, não é razoável esperar que questões emocionais se resolvam sem reflexão, acompanhamento e, muitas vezes, ajuda profissional”, pontua.

Na prática clínica, os avanços mais consistentes não surgem de promessas grandiosas, mas de pequenos movimentos contínuos. “Aprender a reconhecer sentimentos, respeitar limites, revisar padrões de pensamento e construir novas formas de lidar com a própria história faz muito mais diferença do que resoluções feitas por impulso”, destaca Luti.

O Janeiro Branco, segundo ele, convida a trocar a promessa pelo compromisso. “Buscar psicoterapia não é sinal de fraqueza, é um ato de responsabilidade emocional. Muitos pacientes descobrem que não precisam se transformar em outra pessoa para viver melhor, precisam apenas se compreender de forma mais profunda e humana”, afirma.

Para este início de ano, o psicólogo propõe uma reflexão diferente. “Talvez a pergunta mais importante não seja ‘o que eu vou mudar?’, mas ‘o que dentro de mim precisa de cuidado agora?’. Quando essa reflexão é feita com seriedade, as mudanças deixam de ser frágeis e passam a ser escolhas sustentáveis”, conclui.

Janeiro passa, o ano avança, mas a saúde mental exige atenção constante, consciente e responsável. E esse cuidado começa quando se decide ir além das promessas e olhar para si com a profundidade que esse tema exige.

Luti Christóforo

Psicólogo clínico

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