Sarampo: novos casos no Brasil reforçam importância da vacinação

Sarampo: novos casos no Brasil reforçam importância da vacinação

Doença altamente contagiosa pode causar complicações graves; infectologista do Hospital das Clínicas da UFMG explica prevenção, transmissão, sintomas e tratamento

Subiu para 24, segundo o Ministério da Saúde (MS), o número de casos confirmados de sarampo no Brasil, a maioria deles no estado de São Paulo. As ocorrências acenderam o alerta das autoridades sanitárias para evitar que a doença volte a registrar transmissão sustentada no país, quando o vírus passa a circular continuamente, sem estar associado apenas a casos importados. Minas Gerais não registra, até o momento, casos suspeitos e mantém a vigilância.

 

Segundo Mateus Westin, infectologista do Hospital das Clínicas da UFMG, integrante da HU Brasil (HC-UFMG/HU Brasil), o principal fator para o reaparecimento da doença é a queda global da cobertura vacinal. Por isso mesmo, ele reforça a importância da vacinação por pessoas que desconhecem o seu status vacinal. “Até os 29 anos de idade, o esquema é de duas does. Dos 30 aos 59 anos, apenas uma dose já protege”, explicou.

 

Não existe um tratamento específico contra o vírus do sarampo e o cuidado é voltado para aliviar os sintomas, manter a hidratação, controlar a febre e tratar eventuais complicações, como infecções respiratórias. Nos casos mais graves, pode ser necessária a internação para acompanhamento e suporte clínico.

 

Doença

O sarampo é uma doença infecciosa viral altamente contagiosa, transmitida de pessoa para pessoa por meio de gotículas eliminadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Antes do avanço da vacinação, a doença foi uma das principais causas de mortalidade infantil em todo o mundo. Os primeiros sintomas costumam incluir febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e mal-estar, seguidos pelo aparecimento das manchas avermelhadas características da doença.

 

Embora muitas pessoas associem o sarampo apenas às manchas na pele, a infecção pode comprometer diversos órgãos e evoluir para formas graves. De acordo com o infectologista do HC-UFMG/HU Brasil, assim como ocorre com outras doenças infectocontagiosas, pessoas que ainda não desenvolveram plenamente a imunidade, como crianças não vacinadas e filhos de mães não vacinadas, estão mais suscetíveis à infecção. Bebês também podem estar mais vulneráveis, especialmente antes da idade indicada para a vacinação de rotina. As vacinações nesse publico é recomendada aos 12 e aos 15 meses de vida.

 

“A vacina protege de adquirir a doença, mas uma vez adquirida, já que as vacinas não são 100%, as suas formas tendem a ser mais brandas”, afirmou o especialista.

 

Transmissão

Apesar dos avanços obtidos com a vacinação, o sarampo ainda representa um desafio para a saúde pública, especialmente em regiões onde a cobertura vacinal permanece abaixo dos 95% recomendados. A transmissão pode ocorrer entre seis dias antes e quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas. Nesse período, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para cerca de 90% das pessoas suscetíveis com quem tiver contato próximo.

 

Complicações podem ser graves

Embora a maioria dos pacientes se recupere, o sarampo pode evoluir para quadros graves, especialmente entre crianças menores de cinco anos, gestantes e pessoas imunossuprimidas. Entre as principais complicações da infecção estão a pneumonia, principal causa de morte por sarampo em crianças pequenas; a otite média, frequente principalmente entre crianças e que pode resultar em perda auditiva permanente; e a encefalite, registrada em aproximadamente um a cada mil casos e capaz de provocar convulsões e sequelas neurológicas.

 

A doença também pode causar danos oculares graves, com risco de cegueira, comprometer o crescimento infantil e, em casos raros, desencadear a panencefalite esclerosante subaguda (PEESA), uma enfermidade cerebral degenerativa e fatal.

 

Serviço

O esquema vacinal contra o sarampo é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e deve ser mantido em dia conforme o Calendário Nacional de Vacinação. “É só procurar a Unidade Básica de Saúde, lembrando que para esses casos não há territorilização, ou seja, qualquer centro de saúde pode ser utilizado para atualização de vacinação e mesmo fora de épocas de campanha”, explicou Mateus Westin, infectologista do Hospital das Clínicas da UFMG/HU Brasil. Cerca de 2 semanas após a primeira dose, a proteção é de cerca de 95% e após a segunda dose essa proteção fica proxima de 98%.

 

Sobre a HU Brasil

O HC-UFMG integra a Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.